setembro 27, 2008

Jogos de Verão

Todos os anos, em Agosto, pela altura do 2º ou 3º fim de semana, realizavam-se entre as aldeias lá em Gois, uns jogos tradicionais onde se incluía Corridas de vários escalões, Dominó, jogo de cartas sueca, jogo da malha, Tiro, jogo da corda e Futebol.
A aldeia dos meus pais, Cerdeira, também participava sempre e com bastantes praticantes. Quase todos os que na aldeia viviam ou passavam férias aderiam a este entusiasmo.
Era o futebol que mais adrenalina trazia as manhãs desses dias, e mais disputas entre as pessoas. Ninguém gosta de perder, e mesmo a feijões a culpa é sempre dos árbitros.
A “ nossa ” aldeia era sempre a que mais fervor e vontade de vencer dava aos jogos, era sempre a que mais inscritos trazia e no fim quase sempre a que mais vitórias tinha.
Já no futebol a conversa era outra, pois havia uma equipa de uma aldeia próxima, que trazia sempre “ craques ” de fora.
As equipas só poderiam apresentar pessoas ligadas a terra, filhos, netos ou familiares directos. Apesar de as outras equipas reclamarem, havia sempre algum primo do tio do vizinho do avô. Enfim.
Eu participava em alguns desses desportos e nesse ano fui “ convocado ” como jogador da equipa de futebol, apesar de ter 15 anos.
Eram quase sempre 5/6 as aldeias participantes (todas vizinhas umas das outras) que a Este do concelho de Góis faziam esta festa, comemorada no fim dos jogos com medalhas e taças para os melhores, e um repasto para todos.

Férias na Aroeira

Terminado mais um ano escolar, era a vez de dar descanso há cabeça, e deixar os 3 meses de férias correrem o seu tempo sempre divertido e bem passado.
Uns amigos dos meus pais tinham comprado um terreno lá prás bandas da Costa da Caparica, numa zona arborizada e ainda muito desconhecida, ao qual deram o nome de Aroeira.
Nestas férias de verão, a convite deles, fomos lá passar uns dias para conhecer a casa e a zona, e aproveitar umas horas bem passadas na praia da Fonte da Telha, que ficava bem perto.
Ainda se construíam muitas moradias, as ruas eram em terra batida e o saneamento básico ainda não chegava a todas as casas.
O local era bonito, pois havia pinheiros por todo o lado, e quem construía deixava sempre alguns no seu lote de terreno para dar boa sombra á casa.
Esses amigos dos meus pais tinham 2 filhos, mais velhos que eu ai uns 5/6 anos mas juntamente com o meu primo luís, os 4 fazíamos grandes jogatanas na praia e lá pela aroeira corríamos tudo em boas brincadeiras.

setembro 09, 2008

O “meu” Computador

Com o aparecimento dos micro computadores, surgiu na Ferreira Dias, uma sala de estudo onde foram colocados 4 desses computadores.
Quem quisesse praticar tinha que se inscrever e esperar a vez, que poderia ser horas mais tarde ou até dias.
Tudo naqueles computadores, tinha que ser feito a mão, pois as máquinas não tinham disco rígido.
Teríamos que ter umas folhas com o programa que se pretendia, e depois de o escrever todo, começava a funcionar.
Nós tinha-mos um jogo, que era o mais básico que havia, o da cobra a comer bolas, e que levava 15/20 minutos a escrever todo no computador, e depois ficávamos ali o resto da hora que dispúnhamos a jogar.
Era só isso que nós fazíamos quando lá íamos.
Quem dava algum apoio naquele espaço, era um professor, mas ele também tinha pouca paciência para ensinar. A ideia da escola era dar a conhecer aos alunos os computadores, antepassados dos que hoje temos em casa.

setembro 02, 2008

O Spectrum

Nestes tempos computador, era coisa de grandes dimensões, podendo ocupar áreas de varias dezenas de metros quadrados.
Eram utilizados somente em fabricas e em industrias robotizadas.

Em meados dos anos 80 apareceram uma máquinas computorizadas que poucos tinham que seriam o primórdio dos jogos de computador. Os Spectruns.

Estes equipamentos era parecidos com os gravadores, em que se colocava a cassete com o jogo, ligava-se o aparelhometro ao Televisor, e coisa acontecia no ecran.

Grande maravilha, para esta altura, onde os jogos ainda muito básicos, faziam a alegria da malta.

Na minha turma o único que tinha esta “ máquina ” era um tipo que pouco se dada com a malta. Também ele não era dos que jogavam a bola.
A partir daquela altura tornou-se um dos maiores amigos de todos. EHEEH putos...

Ele morava perto do novo Centro Comercial Cacem, que naquela altura tinha acabado de ser inaugurado, e conectado como um dos maiores da europa para a altura.
Era o inicio dos Centro Comerciais, tal como os conhecemos hoje em dia.

A quando da sua construção muitas horas e caminhadas fizemos nós nas horas livres para tentar “ resgatar ” uma t ’ shirt do Centro.
Aquela coisa era simplérrima, branca com o logótipo alaranjado na frente.
O logótipo era a cara de uma miúda com cabelos semi compridos.

Hoje quando me lembro, ainda me rio das figuras triste que fizemos.

A Guerra do Fogo

Uma ida ao cinema nestes tempos era bastante diferente do que nos dias de hoje.
Alem de não haver tantas salas de cinema, também os filmes eram poucos.

As vezes em que eu fui ao cinema no Cacém, foi ao salão dos bombeiros e ao único cinema que havia o S. João, onde os filmes de Kung-Fu, de Cowboys, e de pontapé na Boca, eram as opções para uma melhor escolha.

Uma das vezes o filme era para maiores de 18, mas eu infiltrado no meio de uns vizinhos que já tinham essa idade lá entrei para ver o Justiceiro das Garras.
Porrada da certa e sangue a jorros fizeram daquela película uma verdadeira maravilha para miúdos como eu.

Numa visita de estudo, outra vez de História, fomos ver o filme A Guerra do Fogo.
Para ver esse filme, tivemos que ir a Mem Martins ao Cinema Chabi.


Para quem nunca viu, este filme retrata os tempos pré-históricos, em que o homem de Neandertal lutava pelo fogo, que naquele tempo não havia.
De um raio provocado por uma trovoada, surgiu o fogo, e quem o detinha era poderosos e cobiça de outros povos.
Essas tribos detentoras do fogo já eram mais evoluídas que outras que não o detinham.
O filme não tinha legendas nem palavras, só susurros e grunhidos feitos pelos humanos desse tempo.

Para miúdos como eu que gostavam era de filmes de porrada, foi uma grande pachorra.


Mais uma vez tivemos que fazer um trabalho escolar sobre o filme e o que ele retratava.

julho 21, 2008

Pic-Nic em Sintra

Um dia a professora de História, decidiu fazer uma visita de estudo a Sintra.
A malta iria de comboio, cada um levaria o seu almoço, e seria o dia todo, começando de manhã até ao fim do dia.

Para nós aquilo era espectacular, pois não haveria aulas nesse dia, e só teríamos que ouvir a Professora em algumas coisas e o resto do dia andaríamos a passear.
Claro que para a “ stora ”, as coisas não seriam bem assim.

No dia estipulado, o encontro foi na escola, e depois todos juntos, fomos para a estação da CP. Tirados os bilhetes, a espera pelo comboio foi empolgante e delirante.

Todos nós estávamos malucos ao ponto que a professora entrou em stress com a possibilidade de alguém se magoar.
Tudo correu bem e rapidamente chegamos a Sintra, Vila mágica e fascinante com muito para contar e estudar.

Dos seus edifícios seculares há serra maravilhosas carregada de fresco verde das suas enormes árvores e cores garridas dos jardins cheirosos a perfume suave.

Visitamos o palácio da vila enorme e com muito para contar.
O repasto dos petiz foi no parque da vila, onde no ringue ai existente ainda se fez uma jogatana depois de comer.

De regresso a casa tivemos que fazer um trabalho para ser entregue na próxima aula de História, sobre Sintra os seus reis e as conquistas dos mouros.

Mesada

Tive sempre vontade de ter o meu próprio dinheiro, a mesada que recebi dos meus pais era , mas para rapazola como eu era, nunca chegava.
Eram as pastilhas os cromos, o sumol ou coca cola, era os bolos e sandes na cantina da escola, enfim enormes gastos para meia leca de gente como eu.

Combinava com a minha mãe a troco de recados, recebia extras, mas tive , pois ela dizia que já me dava dinheiro que chegava para tudo o que eu necessitava.

Nesse ano os rapazes que geralmente jogavam a bola nos intervalos, juntaram-se todos para comprar uma bola.
A compra foi efectuado no Centro comercial Bons amigos, numa loja de desporto que lá havia. Era branca com gomos vermelhos, á Benfica.
Todas as semanas, um era responsável pela bola, de a levar e trazer de casa, para o bom uso dela e para que ela não se deteriorasse.

O campo da escola era em alcatrão e isso não fazia nada bem a cabedal dos gomos da bola, esgaçando os gomos rapidamente.
Nesse ano tínhamos uma equipa razoável que se batia de igual com as turmas dos anos mais velhos.

No torneio da escola desse ano ficamos em 3º lugar, perdendo a semifinal com uma turma do 11º.
Nesse jogo fomos prejudicados escandalosamente pelo arbitro, que era amigo de alguns dos jogadores dessa equipa.

Aulas de Mecânica

A Ferreira Dias sendo uma escola Industrial e Comercial, tinha como forte, na educação leccionado aos alunos, cursos vocacionados para a industria.

Quando escolhi a área de electrotécnica, poderia ter seguido vários caminhos, mas o que na altura mais me entusiasmava era as obras industrias.

Montar esquemas eléctricos e seus derivados, desenhar as estruturas e cablagens, davam-me nesse tempo prazeres que pensava mais tarde poder aproveitar na minha vida adulta.

Na minha turma desse novo ano, já existia um maior numero de raparigas.

A escola tinha oficinas equipadas para Electricidade e Mecânica.
Nesse ano também tive aulas desta área.

Eram interessantes as aulas práticas, mas no que a teórica dizia respeito, achava aquilo uma seca e desmotivante.
No fim das aulas ficava mos com as mãos todas sujas, tendo que recorrer a um liquido para as limpar.

As ferramentas eram levantadas num depósito, onde ficava registado o nosso numero de aluno, e no fim das aulas teríamos que as devolver todas.

Um dos trabalho que fizemos foi um chaveiro tipo chave para pendurar porta chaves.
Acho que fiz um trabalho aceitável.

junho 14, 2008

Góis sempre Góis

Finalizado mais um ano escolar, as férias de verão continuavam idênticas a outras do passado, correrias, futeboladas e esse ano marcado com a descoberta do Monopoly.
Esse jogo realmente fantástico, deu-nos horas e horas de bons momentos e diversão.
Chegados a Agosto, rumanos a Góis para mais umas férias passadas na terra dos meus pais.
Aos poucos os amigos que reencontravamos uma vez por ano, iam chegando para dias de muita animação.
Claro que eu pretendia voltar a encontrar a Rosa. Pensava nisso quase diariamente.
Mas a desilusão foi enorme quando soube que ela tinha ido passar férias com uns tios para a Figueira, e que só iria chegar no fim do mês.
Nesse dia fique bastante triste, mas com a ajuda dos meus amigos e mais uma jogatana no descampado lá no serrado, a coisa foi passando.
Afinal ela era uma amiga, tal como os outros que eu só via nesta altura do ano.
A nossa maior diversão era ir para a ribeira que ao fundo da aldeia dos meus pais, passava com as suas águas frescas e cristalinas.
No primeiro fim de semana do mês de Agosto, acontece as festas lá da aldeia, e costumam sempre ser bastante concorridas por forasteiros.
Durante esses dois dias a malta consegue ficar na farra até mais tarde. Os pais não se importam.
Nesse ano o pessoal construiu uma casa de madeira lá na ribeira, onde fazíamos longas brincadeiras e criamos até um clube. Os Selvagens.

maio 27, 2008

Festa de Final do Ano Escolar

A aulas tinham chagado ao fim e com ele alegrias para todos os que tiveram aproveitamento e tristeza para os que tinham reprovado.
Eu passei com 2 negativas.

Foi organizada uma festa para comemorar o fim das aulas.

Um palco animou o pavilhão desportivo, e alguns alunos deram largas á imaginação com actuações musicais e teatrais.
A minha turma juntou-se toda e cada um levou um farnel, para fazermos um pic-nic há sombra do grande carvalho que imponente abrigava todos na sua base.

Ainda me lembro da confusão e dos bons momentos que foram provocados, quando uns começaram a atirar aos outros as bolotas que no chão jaziam depois da sua aventura anual no topo da árvore.

Nesse dia compramos umas Sagres de litro, e as escondidas, o liquido jorrou pelas goelas de cada um.

Foi o ultimo dia do ano escolar em que estivemos todos juntos.
Quando saíram as notas só encontrei 5 colegas.

maio 08, 2008

Paixões de Primavera

As paixões de primavera traziam a escola encontros secretos atrás das árvores, beijos “roubados” nos corredores e poemas de amor declarados em paredes desnudadas de tinta.
João+Tina; Alice ama Tiago; Lurdes Pacheco;
O meu amor pela Rita sobe à árvore mais alta da escola...
Miúdos.
Na minha turma as miúdas eram poucas, e nenhuma era assim lá muito jeitosa para deixar a cabeça de um rapaz perdido de amores.
Havia a Susana, uma miúda alourada, um pouco menina da mama, muito tímida e calada.
Até que era engraçada, mas não cativava muito a malta.
Um dia numa conversa menos conseguida entre ela e um colega meu, ela deu-lhe um par de estaladas que o puto ainda hoje deve estar com as orelhas quentes.
Eu sinceramente, apesar de já saber olhar para as miúdas com outros olhos, só tinha pensamento na Rosa, e nos dias que ainda faltavam para ir para Góis.

Grande Derby

Para um apaixonado de bola como eu, um derby era sempre empolgante e chamariz para umas conversas animadas entre a malta.

Na primavera de 84 o meu Benfica recebia o Sporting no velhinho estádio da luz, onde o antigo terceiro anel dava cartas no que a medo meter aos adversários que nos visitavam.

Para enorme alegria minha o meu pai tinha comprado 2 bilhetes para irmos os 2 ver o jogo.
Quando ele me disse isso, fiquei tão contente que quase não dormi na noite anterior.
Eu só tinha ido ao estádio 1 vez há 2 anos atrás, e para ver um jogo com a União de Tomar.

Naqueles dias anteriores ao derby, não se falava de outra coisa, até porque estava em causa a vitória no campeonato.

Apesar de o Benfica nessa altura, estar na frente do campeonato com 4 pontos de avanço, fazia com que se o Sporting ganhasse, ficarem a 2 pontos e ainda tudo poderia acontecer.

A viagem para o estádio, foi feita de comboio até a estação de Benfica, e depois a pé pelos campos onde hoje em dia está a faculdade de comunicação social.

O enorme mar de gente, fazia aos meus olhos, imaginações frenéticas de grande crença e paixão pelo desporto rei e pelo clube do coração.

O estádio estava cheio que nem um ovo, 80 mil pessoas a puxar pelo glorioso.
A massa adepta do Sporting eram poucos, mas naquela altura como todos se davam bem, a mistura entre todos era geral.

O jogo correu bem para o meu glorioso. Demos 5 a 0 aos lagartos.

Aulas de Electricidade

As cartas e postais que trocava com a minha amiga Rosa, de Góis, traziam novidades que naqueles tempos os emails e sms não tinham ainda a sua razão de ser.
Sabia que ela estava bem na escola, em Arganil, que o natal foi muito bom e o ano novo lá na vila, foi passado em casa dos pais dela, e depois saíram à rua para que todos há volta do velho tronco de carvalho que na praça estava a arder, cantarem e dançarem até as gargantas aguentarem.
Soube que também ela estava com saudades do verão e de voltar a ver os amigos de Lisboa, eu incluindo ahahaah.
Bem desejei nesse princípio do ano de 84, que os meses rapidamente passassem para as férias chegarem em força e eu voltar a ter 1 mês inteiro de diversão e alegria em Góis.
Na escola, passadas as euforias das férias de natal, a vida continuava e o 8º ano trazia a todos nós boas notas e desejos de chegar ao fim com notas suficientes para passar de ano.
A minha área de electricidade era bastante puxada, mas eu gostava e dava-me prazer fazer todos os esquemas eléctricos no papel para conseguir na prática a coisa funcionar.
Desde montagem de interruptor e lâmpada a esquemas de comutação, pequenos aparelhos eléctricos e fechos eléctricos de porta.

Fim de Ano

Se o Natal foi em minha casa, o ano novo, também motivo de ajuntamento familiar, foi nesse ano em casa do meu tio Manel.

Estes meus tios, foram pais já muito tarde, pois o meu tio manel tivera em pequeno problema de saúde em novo, e dizia-se que nunca poderiam ter filhos.
O que acontece é que isso não foi assim e a minha prima nasceu fazia em Fevereiro de 1984, 4 anos.

Eles andavam muito alegres com o sucedido.
Era normal nestas festas familiares, as pessoas ficarem a dormir na casa onde decorria a festa. No natal dormiram todos lá em casa, pois no dia seguinte a festa continuava pelo almoço, neste fim de ano, isso também acontecia, apesar de os meus padrinhos e a minha prima, irem pernoitar em casa, visto morarem também na Pontinha.

Na noite de fim ano, a malta ia para a janela bater tachos tocar cornetas e mandar papelinhos para a rua.
Depois saia-mos para ir para o jardim cantar gritar e pular.

De volta ao aconchego do lar, comia-se mais uns bolitos, via-se mais televisão, e pelas 2/3 da manhã, tudo p´ra cama que o dia seguinte estava já ali a espera de novas brincadeiras com as prendas que no natal deram a todos um sorriso largo de orelha a orelha.

Festa de Natal

O Natal é sempre uma grande festa de família. A minha não é muito diferente.

Era costume toda a minha família juntar-se em casa de um de nós e festejar durante 2/3 dias a época.

Neste natal de 1983 foi em casa dos meus pais que a consoada aconteceu.

Na tarde de 24 Dezembro, a família juntava-se, os pais a jogar as cartas, as mães na cozinha a roda dos tachos a preparar o belo do bacalhau e das guloseimas, e os “putos” todos na galhofa a dar os últimos ares aos brinquedos do ano anterior.

Novos iriam surgir na noite de natal, e as atenções seriam inteiras para eles e deixariamos os antigos de lado.

Éramos sempre uns 15 a mesa a comer. Para tanta gente era necessário arranjar espaço para tudo e então os miúdos comiam na mesa da cozinha.

Poderiam sujar tudo a comer, falar alto uns com os outros ou simplesmente brincar que nestes dias tudo era possível.

Depois do jantar fazia-se tempo a ver programas da televisão que nestas alturas eram quase sempre os mesmos, e esperava-se pela meia-noite, altura em que um suposto senhor de barbas brancas iria surgir pela chaminé da lareira, e trazer grandes alegrias aos mais pequenos.

Ora isso era muito relativo, pois tanto em casa dos meus pais como dos meus tios, chaminé não existia, só se fosse a da cozinha, e depois para miúdos graúdos como nós isso já era história.
O que é certo era que só se poderia ir espreitar debaixo da árvore de natal à meia-noite.

A noite seria ainda uma menina para todos nós quando os embrulhos eram destruídos por pequenas mãos havidas de descobertas alegres e desejadas alegrias natalícias.

abril 29, 2008

De volta a escola

Para o novo ano escolar, a tarefa era mais difícil e exigente. Novos colegas, novos professores, e novos hábitos de miúdos graúdos.
Na minha turma estavam colocados 2 alunos que tinham vindo de outra escola, e que para eles tudo era novo.
Não me recordo dos seus nomes, mas ainda relembro os receios e medos de quem caiu num mundo completamente diferente do que estavam habituados.
Tinham vindo do norte, e além de não conhecerem o Cacém, também não conheciam ninguém dos novos vizinhos.
A sua integração foi fácil e com a ajuda de todos conseguiram adaptar-se bem.
Eram irmão gémeos, um ele e uma ela.
Por sinal ela era bem engraçada e deixou logo algumas bocas abertas de baba caída pelos cantos. AHAHAH
Na minha mente ainda me lembrava a nova amiga de Góis, a Rosa.
Por alturas do S.Martinho, nós fomos numa excursão, há terra dos meus pais.
Tinha esperança de encontra a Rosa lá em Góis, nas festas da vila.
Não tive sorte nenhuma.

abril 17, 2008

Paixoneta de Verão


Naquele verão de 83, fiquei a conhecer melhor uma rapariga lá de Góis. Eu já a conhecia do ano anterior.

Nessas férias voltei a encontra-la e um dia estava-mos todos a tomar banho no rio, e a malta começou a meter-se comigo para eu falar com ela e convida-la para uma festa que iria acontecer no fim semana seguinte. Eram as festas da Vila de Góis.

Perdi a vergonha e peito cheio de coragem estendi a toalha ao lado dela e posemo-nos à conversa. Foi rápida a tarde para tanta conversa divertida e cheia de curiosidades.


Fiquei a saber que estudava em Arganil, que andava em Ciências, que não tinha namorado e que me achava divertido e simpático. LOL

Fiquei apaixonado desde aquele momento, por ela. O meu coração batia forte e sentia vontade de saltar e pular de alegria.


Dia após dia as conversas entre nós eram sempre interessantes e gostavamos de estar um com o outro. Os meus amigos lá da terra dos meus pais achavam-me um maluco por ter conseguido ser amigo dela, mas lá no fundo achei-os todos com grande inveja minha. AHAHA


O fim-de-semana chegou e ela tendo aceite o meu convite, fui busca-la a porta de casa que era lá na vila e fomos juntos para a festa.

Alem de dançar-mos juntos, falamos muito e trocamos moradas para mais tarde lembrar. Naquela altura não havia telemóveis ou internet para troca de emails.


Para pena nossa as férias acabaram e a despedida foi sentida com profunda tristeza. Adorava que aquele verão não tivesse acabado.

O beijo que lhe dei, na cara, da ultima vez que nesse verão a vi, ficaram recordados na minha memória por longo tempo.


Desejei rapidamente voltar a Gois para a rever. Agora só no proximo verão.

Torneio de Verão

Acabada a escola, desta vez com bom aproveitamento, fiquei feliz por voltar a ter 3 meses de descanso e brincadeiras infinitas.

A malta lá da rua tinha planeado durante algum tempo realizar um torneio de futebol entre as várias ruas da zona.

O campo lá do descampado, estava pronto para receber os pontapés no esférico e gritarias de alegria e paixão pelo desporto rei.

A minha equipa era constituída por 7 elementos.
Os jogos eram de 5 contra 5 e o tempo era de 30 Minutos para cada lado.

Entre as 8 equipas e durante 2 semanas os jogos foram sendo realizados, para alegria de uns e desespero de outros.

Algumas entradas violentas, jogadas corridas, golos fantásticos e muito suor, com corpos desnudados de camisolas e água fresca a jorrar pelas gargantas abaixo fez daquele torneio um dos melhores que foram disputados pela malta.

A minha equipa ficou em 4º. Haverá mais na próxima, e ai iremos desforrar-nos.

Os prémios de jogo, foram um pic-nic que a malta fez no último dia do torneio no molha pão. Os nossos pais foram fantásticos ao prepararem o farnel.

Todos ganhamos, apesar de só uma equipa ter ficado em primeiro. Os putos do Bairro Azul.

abril 15, 2008

Roma-Benfica 1982/1983

Em finais do ano lectivo de 1983, e tendo-me corrido bem o ano, pois passei com 2 negativas, Francês e Matemática, a malta já andava toda a combinar coisas para as férias.

O fim do ano escolar, foi altura de por em prática um projecto que o conselho directivo tinha idealizado. Fazer uma festa desportiva, em que os alunos iriam praticar vários desportos durante um dia.

O dia escolhido foi a uma quarta-feira.
Nesse dia, para azar de todos, acontecia um jogo de futebol fantástico e que iria ficar marcado para toda a vida na memória dos jovens miúdos que naquele fim de tarde no café via televisão, viram o embate entre o meu Glorioso Benfica e o Roma.

Os jogos desportivos escolares não poderiam impedir de ver-mos esse jogo, por isso metade da turma aproveitava os intervalos das provas para ir a correr ao café dar uma olhada na TV. Eu estive escalonado para fazer as 12 horas a correr, por isso engatei um dos meus colegas, a troco de uma pastilha, para ele fazer o meu turno da corrida.

Resultado Final: Roma-Benfica, 1-2
Lembro-me que a comunicação social deu destaque aos jogadores que, de um lado e do outro, tinham a batuta da equipa.

A Roma na altura estava na mó de cima, era uma grande equipa, composta por grandes internacionais, no meio-campo tinham o Falcão e Bruno Conti, que eram as estrelas da companhia.
"Nós" Tínhamos o Filipovic e o Alves, e ainda contávamos com esse grande treinador que era o Sr. Eriksson.

O Jogo foi fantástico, quase um jogo perfeito. O Benfica foi superior.
Pela imponência do Estádio Olímpico, pela quantidade de jogadores de grande nomeada, foi um jogo inolvidável.

p.s. Na corrida da escola, a minha turma ficou nos ultimos lugares :-)

abril 11, 2008

Uma Briga das antiga

Numa das visitas de estudo que a professora de Ciências fez, foi ao Jardim Zoológico. http://www.zoolisboa.pt/main.aspx

Claro que conseguir controlar 30 alunos num sítio daqueles era deficil, mas da escola foram 2 autocarros cheiros, éramos para ai uns 120 alunos.
O dia foi bem divertido, e acho que a atenção sobre o que os professores, que fizeram essa visita, diziam foi quase nula.
A malta era irrequieta e só queria andar de um lado para o outro e os rapazes metiam medo as miúdas, dizendo-lhes que as mandava-mos para a jaula dos leões.

Apesar de tudo, correu bem e para "agrado" de todos, tínhamos que fazer um trabalho para apresentar a professora sobre o Zoo.

Bonito, eu quase nada tinha fixado do que eles disseram. Com a ajuda da minha mãe e com alguma memória lá me desenrrasquei.

Aquela visita ao Zoo, tinha provocado uma situação de tensão entre alguns rapazes da minha turma, eu incluído, e uns outros de uma outra.

Houve um rapaz da outra turma que passou uma rasteira a uma das "nossas" miúdas e ela magoou-se.
Os professores nada viram e apesar dos protestos dela, não lhe aconteceu nada.
A perna dela ficou bem marcada.

A malta decidiu, aplicar uma "solha" ao puto, e num dos intervalos, dias depois do acontecido, apanhamos o "parolo" à saída da cantina e levamo-lo para traz do Ginásio.

A minha colega deu-lhe um estalo, e depois todos nós, os outros, obrigamos o miúdo a passar pelo "corredor da morte" e ai levou com cada "calduço" que até as orelhas ficaram arrebitadas.

Dois dias depois, houve uma batalha campal nas traseiras das oficinas, entre rapazes das 2 turmas.
Foi tareia a torto e a direito. Eu ainda fiquei com algumas nódoas negras, mas felizmente ninguém se magoou a sério.
O conselho Directivo da escola nunca soube nada sobre isto.

Uma coisa foi feita. Justiça! A minha colega foi vingada.

abril 07, 2008

Cantinho do Amor

Os espaços exteriores eram aproveitados pelos alunos para variadas actividades.

Os 2 campos desportivos estavam sempre ocupados com jogatanas, e os 2 campos de basquetebol também.
O bar era frequentado para comer e também para ir namorando as miúdas.

Os mais velhos escolhiam um local que havia atrás das oficinas, junto ao muro da escola, onde a existência de árvores fazia com que o local fosse escondido e discreto.

AhAhAh é claro que toda a malta sabia desse chamado "Cantinho do Amor".

Uma das actividades favoritas dos putos mais novos, como eu, era ir vigiar esses casalinhos e mandar-lhes coisas para os assustar. Coisas de miúdos que não tinham nada para fazer.

Os contínuos da escola sabendo dessa situação, tentavam sempre arranjar forma de isso não acontecer, limpando a zona, desbastando as arvores e fazendo rondas pelo local.

Mas quando esse sítio era muito visitado por alheios, a malta ia para outro nas traseiras dos pavilhões junto a passagem de nível.
Havia sempre solução para os ninhos do amorrrr.

Orgânica da Escola

Eu adorava a escola, e todas as alterações que teve na minha vida.
Senti que estava mais crescido e com mais solicitações a vários níveis.

Na minha turma, éramos 30, alguns repetentes, com feitios e maneiras de ser diferentes uns dos outros.
Tínhamos 5 raparigas, as áreas mais mecânicas eram pouco atractivas para as miúdas.
As aulas técnicas (electricidade, mecânica) eram realizadas nas oficinas, as gerais (português, francês, inglês, matemática, biologia, química) no edifício principal, e as outras nuns pavilhões que existiam nas traseiras e no edifício antigo, que era a escola original.

Tirando o edifício principal, que tinha algumas condições de leccionar as aulas e as oficinas, os pavilhões e a escola antiga eram muito degradantes e sem condições. Não entendíamos como era possível aprender o que quer que fosse em locais onde ratos, frio, material partido e outros, eram uma realidade nada abonatória para uma escola.
Nem para outro lugar.

Os tempos eram difíceis, o ministério tinha poucos recursos e os docentes pouco poder tinham ainda. Não havia manifestações como hoje em dia.

Eu lembro-me de não haver material nas oficinas para fazer os trabalhos, e termos nós que pedir aos pais para o comprar.

A minha 1ª experiencia num trabalho de electricidade, foi realizar uma corrente continua numa placa de madeira, em que o esquema fazia acender uma luz no topo do trabalho.

As aulas de ginástica eram quase todas no exterior, pois o pavilhão desportivo existente era pequeno, só cabendo um campo de voleibol no seu interior.
O pavilhão só servia para mudar de roupa e tomar banho depois das aulas. Mesmo os balneários eram pequenos e pouco confortáveis.

A cantina e o bar era ainda o que mais se aceitava. Aliás o bar era relativamente novo, tinha sofrido obras no ano anterior.

Para poder almoçar na cantina tinha que se comprar a senha no dia anterior.

abril 04, 2008

Nova realidade escolar

Eram atarefados os dias anteriores ao começo de um novo ano escolar, pois a corrida as listas dos livros a comprar, colocação das turmas e horários das aulas.
Alguns dos livros que já tenho do ano anterior, vão-se manter, mas outros terão que ser adequiridos.
Este investimento é enorme para os pais, alem do material escolar.

A escola onde eu me inscrevi para o 7º ano, é na Escola Industrial e Comercial Ferreira Dias.
A maior de Sintra e aquela onde mais alunos estudavam.
Era outra realidade, completamente diferente da que estava habituado.
Na realidade eram 2 escolas num conjunto de edificios, a Ferreira Dias onde eu estava e a Gama Barros.
Na altura a malta dizia que a Ferreira era dos rapazes, pois eram as areas mais técnicas, electicidade, mecanica, desporto, e a Gama a das meninas, onde as areas eram a de linguas, saude, fisico-quimica, comercial.

O universo de 2 mil alunos, fazia da escola um mar de alunos, que nos intervalos deixavam um puto acabado de chegar ao estabelecimento, maluco.

Aqui não poderia armar-me em esperto, pois havia alunos muito mais velhos que eu, e ainda por cima não conhecia ninguem.
Na minha turma, eramos 3 alunos que viemos da António Sergio, mas de turmas diferentes.
Sendo uma escola Industrial, as aulas técnicas eram bastante diferentes e mais práticas.

Desejei que o ano fosse bastante diferente do anterior

Atravessar um "Deserto"

As férias desse ano foram passadas com um grande sentimento de frustração, desmotivação e fúria por mim próprio.

Senti uma sensação terrível por ter dado aos meus pais uma vontade enorme de me puxar a roupa ao pêlo.

Chumbar o ano daquela maneira que eu o fiz, é daquelas coisas que quando se é miúdo não se pensa muito e dá-se pouca importância mas que mais tarde recordamos essa aselhice e só nos apetece dar murros numa porta.

Nos dias que passei em Góis, não me foram permitidas muitas brincadeiras.
Levei uma carrada de livros para estudar, para no próximo ano escolar não voltar a acontecer o mesmo.

Bem sei que não foi só a falta de estudos, as companhias e devaneios escolares também contribuíram para o desastre.

Sentia vergonha, quando as pessoas me perguntavam como tinha corrido a escola, e eu tinha que lhes dizer que não tinha passado.

Acho que esses sentimentos e memórias são para toda a vida.

O próximo ano vou para outra escola. A que andava iria acabar com o 7º ano, ficando só com o 5º e 6º anos.

abril 02, 2008

Perda do Ano escolar

As aulas corriam a um ritmo elevado, e para miúdos armados em graúdos em que a atenção era menor derivado de vários factores, as matérias iam sendo cada vez menos interessantes e chatas.

Nunca mais chegava a hora do intervalo, para se poder andar em grandes correrias e brincadeiras infindáveis, para galantear as miúdas, e para ir a banho em tempo quente a ribeira de Meleças.
A sombra das árvores acolhia debaixo dela, miúdos cansados de tanta bola, de jogos do apanha e do arrebenta.

As idas ao supermercado, proporcionava ávida vontade de cerveja e batatas fritas. Trazíamos amendoins e Bom-Bocas, que boas eram elas recheadas de morango.

É claro que todos estes devaneios não iriam dar bons resultados no final do ano escolar, mas a malta pouco se importava. Coisas de miúdos.

Nesse ano considero que foi uma grande lição de vida para mim.

E eu que até frequentava a catequese e ia ao Domingo a missa, não tinha ainda adquirido os princípios de saber, estar e respeitar.

Sim, o respeito que não tive pelos meus pais, que com sacrifício puseram o filho a estudar e ele andou nesse ano a passear a mochila com livros lá dentro que mal viam a luz do dia se não quando eram abertos nas aulas.

No final do ano, reprovei com 5 negativas.

março 31, 2008

Putos armados aos "Pingarelhos"

Para a malta, chegados ao 7º ano, já nos considerávamos os maiores, e sendo o máximo que a escola tinha, pois para o ano teríamos que mudar de local, ninguém se poderia por contra nós.

A turma onde eu estava colocado, tinha meia dúzia de alunos repetentes, e esses eram 1 ano mais velhos que a maioria. Já tinham 14-15 anos.

Eu tendo escolhido a área de Electricidade, a maioria da turma eram rapazes, só tínhamos 7 raparigas, em 30 alunos.
Eu gostava dos trabalhos eléctricos, sendo complexo e muito exigente em termos de matéria, as aulas práticas eram fascinantes.

Chegado a esta fase escolar, as matérias eram mais difíceis e os devaneios extra-escola chamavam por nós.

As nossas aventuras passadas à beira da linha de comboio, que na altura não tinha os acessos vedados, a fumar tabaco dos velhotes, Mata Ratos e Kentucky, e a beber cerveja comprada no Minipreço pelos mais velhos.
Não havia aquele problema da idade, qualquer um poderia comprar.

Acho que a minha experiencia de fumar aquela porcaria, fez com que nunca fosse fumador. Achava que aquilo não seria nenhum prazer.

É verdade que naquela altura nunca apanhei nenhuma bebedeira daquelas a sério, mas que o raio da cerveja batia, ai isso batia e que bem corriam as aulas depois disso.
Os professores nunca desconfiaram de nada. Eles não deveriam imaginar tamanha loucura.

março 29, 2008

A minha Bicicleta

As férias de verão corriam sempre em grande aceleração e dentro das brincadeiras que a malta gostava, havia uma que era do agrado de todos.

As corridas de Bicicleta.

Eu tinha uma trotineta vermelha, e era com ela que me divertia, mas sendo já crescido gostava de ter outra coisa mais evoluída.

Como prenda da minha passagem para o 7º ano, os meus pais deram-me uma Bicicleta. Uma Caloi Berlineta.

Que prenda mais fantástica, e como eu adorei o dia em que a fomos buscar a Lisboa, uma loja que havia ali na Almirante Reis, ao pé do Banco de Portugal.

Ela era verde, e ao meio tinham uma tranca que permitia dobrar a bicicleta, para assim ser mais fácil o seu transporte de carro.

Há uns anos trabalhei lá perto e ainda existia essa loja, mas hoje em dia é um Restaurante.

Como dizia, grandes brincadeiras e corridas nós fazíamos com as nossas "bikes". Estrada acima rua a baixo saltar montes e derrapar com o pneu traseiro.

Para dar mais estilo, eheheeh os miúdos são terríveis, púnhamos umas cartas das de jogar, presas com molas nos raios da roda de traz, e aquilo parecia um barulho de mota.

A minha mãe ADORAVA ver-me ao fim do dia com as calças cheias de óleo da corrente e braços e mãos negros como o alcatrão da estrada.

Corríamos algum perigo, pois íamos a pedalar pelas estradas até Sintra, circulando ao lado de carros.

Eu acho que os nossos pais nunca souberam destas loucas viagens. Para eles andávamos sempre por ali perto.

março 27, 2008

Vamos pra praia


As férias tinham chegado, e haveria de se recarregar as energias de um ano atarefado.

Era a altura em que o Dartação andava em grandes aventuras televisivas, e os mosqueteiros era uma das brincadeiras dos putos lá da rua.

O meu pai folgava ás Terças e Quartas feiras, e eram esses os dias em que nós aproveitávamos para ir á Praia.

Era bom, porque sendo dias de semana havia sempre muito menos pessoas que aos fins de semana.

Os areais das praias eram extensos para tão poucas pessoas. Assim era possível poder jogar a bola com mais descontração e segurança.

Aprendi a nadar com uma bóia amarela e branca que me foi oferecida pelo meu tio, quando tinha 8 anos. Foi uma prenda de passagem da 2ª para a 3ª classe.

Nesse verão de 1980 já não a tinha, de tanto uso que lhe dei, arrebentou numa tentativa de defesa dentro de agua.

Nessa altura os meus pais gostavam de variar nos locais de ir a banhos, desde a Torre, Carcavelos, passando pelo Estoril e Cascais, Praia Grande e Maças.

Também íamos até a Caparica, e Fonte da Telha. Lembro-me também de algumas vezes irmos até ao Portinho da Arrábida, Galapos e até a Tróia.

Naquele tempo, a praia durava o dia todo, pois com a bela da geleira debaixo do braço, umas cadeiras e mesa e um fogareiro, a coisa rendia.

O dia começava bem cedo, pelas 9 horas e chegávamos lá pelas 18 horas.

O que eu não gostava nada era da sesta depois do repasto.

Ora sendo puto queria era saltar e subir ás arvores, que de poiso serviam ao nosso saltimbanco momento veraniano

março 25, 2008

Chico Fininho

Em 1980, o panorama musical estava a mudar, e a malta mais nova era a imagem dessa revolução.
Novos grupos e cantores a solo, iniciavam um estilo de música que se veio a tornar uma lufada de ar no meio musical Português. o Rock and Roll.

Gingando pela rua ao som do Lou Reed
Sempre na suaSempre cheio de speed
Segue o seu caminho Com merda na algibeira
O chico fininho O freak da cantareira
Chico fininhoUuuuuuh uuuuuuh
Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de hero'na
Sapato bicudo e joanetes
A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da cantareira
Patchuli borbulhas e brilhantina
Com lica escorbuto e caganeira
Chico fininhoUuuuuuh uuuuuuh
Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ócido com muita estricnina
Da cantareira á baixa
Da baixa á cantareira
Conhece os flipados
Todos de gingeira
Chico fininhoUuuuuuh uuuuuuh

Todos nós tínhamos escrito numa folha de linhas a letra toda.
A minha folha de tanto ler e cantar, ficou bastante mal tratada AHAHAHA.

Num sábado, às 14h ia dar na televisão um conserto, o primeiro, do Rui Veloso.

Nesse dia tínhamos aulas até a essa hora, por isso pedimos ao professor se nos deixava sair 10 minutos mais cedo para podermos chegar a casa e poder vê-lo.
Muito corri eu pelas ruas acima até casa dos meus pais.

Esse dia ficou memorável e ainda hoje recordo-o.

Molha Pão

Com a chegada do calor da primavera as aventuras iam para além da escola.

Nos intervalos das aulas, furos ou nas faltas de professores, a malta gostava de sair da escola e um dos locais escolhidos era o rio que passa junto a escola e que já vinha de Meleças. Ribeira das Jardas.

Era costume andar a apanhar peixinhos com redes, apanhar rãs e cobras de água.

Havia um campo de futebol com balizas a sério em Meleças, onde os putos costumavam também jogar.

Depois das jogatanas era correr até ao rio que passava perto, para dar grandes mergulhos e banhos refrescantes nas aguas que naquele tempo ainda corriam limpas e seguras.
Não havia melhor brincadeira do que essas.

Estávamos sempre na ansiedade de algum tempo livre para ir para lá.


Um dia, depois de uma manhã de sábado (nessa altura havia escola ao sábado até as 14H) sem aulas, tivemos que vir a corre para a aula das 13h, depois de grandes brincadeiras num grande tanque de rega numa quinta na Tala, o Molha Pão.


O tempo apesar de ter estado quente não foi suficiente para que todos nós chegássemos secos a aula.

A professora perante tamanha falta de respeito, mandou todos os que prevaricaram, para a rua com falta a vermelho.

Aquilo custou muito às minhas pequenas orelhas, quando a minha mãe soube do sucedido.

março 20, 2008

O Franciu

Passavam os dias e ainda tinha na mente o 1º beijo que tinha recebido da Maria João.

Ela continuava a ser a mais desejada da minha turma, pois sendo a única a dar beijos na boca, as outras miúdas eram quase sempre postas de lado, no que tocava a convites.

Depois desse momento mágico, ainda tive sorte em mais 3 ou 4 beijos em dias posteriores, mas o pior estava para acontecer, se é que se poderia considerar pior ou antes desgraça.

Na turma havia um rapaz, 1 ano mais velho que nós, o Fernando, que vivia em casa de uns tios, pois ele viera de França, onde os pais estavam emigrados.

O tipo para a época, e além de ser mais velho, estava muito a frente no que respeitava a vestir-se, pois trazia de França roupas modernas e que por cá pouco se viam.

Calças e casacos de cabedal, t-shirts modernas e coloridas e ténis da Le Coq Sportif.

Nos primeiros dias, ele era acanhado, e participava pouco, mas depois mudou e tornou-se mais companheiro, apesar de não jogar a bola.

O cabelo dele era louro (derivado da pintura com agua oxigenada ahahaha) e aquilo funcionava com as miúdas.

Elas andavam todas malucas por ele.

Isso deixou nos restantes rapazolas da turma uma tal frustração por não serem os eleitos das miúdas.

No Bate Pé ele era sempre bem aceite pelas participantes do sexo feminino e recebia só beijinhos na cara.

Mas o que não queríamos que acontecesse, aconteceu.

A Maria João ficou a gostar dele, e ficaram namorados. A partir desse dia, ela não deu mais beijos na boca a ninguém. Só para ele.

março 19, 2008

O meu primeiro Beijo na boca

Quase todos os intervalos eram aproveitados para jogar o Bate Pé.
Beijinho ou prisão?

Rapazes como nós já com as hormonas activas, desejavam poder um dia chegar ao beijo de uma rapariga. Por aquela altura, a coisa era menos fácil, do que hoje em dia o é.


Elas ligavam-nos pouco e nós também, vendo bem as coisas, só interessava brincadeiras de rapazes.

A maioria das miúdas só dava apertos de mão e 1 beijinho na cara. 2 beijinhos na cara já era um luxo.
O prémio maior era o beijo na boca, mas isso com as miúdas da minha turma era tão raro que só uma, a Maria João, o fazia, e só alguns tinham esse privilégio.

Eu ao princípio era um dos renegados.

Nós os outros, os excluídos do prémio máximo dessa Diva, ficávamos todos com uma raiva dos 2 ou 3 betinhos que tinham essa sorte, que no jogo da bola iam para a baliza. Tomem para aprender.

Quase todas as turmas jogavam, e a malta falávamos com outros rapazes para saber quem eram as miúdas que davam beijos na boca. Era cá uma galderice, gaiatos.

Dia após dia, a ânsia de um dia poder ser beijado na boca pela Maria João ou por outra miúda que entretanto pudesse ceder, deixava-me maluco.

Até deixávamos de fazer outras coisas, para ver se a sorte sorria.

Um dia, acho que seria já por alturas da primavera, e após insistência, ela aceitou o meu pedido e acho que nessa hora um buraco no chão se abriu.

As pernas tremiam que nem varas verdes, e o medo de não saber como fazer, fez com que o encostar dos lábios um no outro fosse a coisa mais maravilhosa que eu já tivera.
Esse momento durou para ai 1 segundo, mas pareceram horas.

O sangue corria a 1000/hora e o tremelicar das pernas prolongou-se por muito tempo, fazendo com que eu nesse resto de dia, não tivesse mais atenção ao resto das aulas.

Acho que fiquei apaixonado... se é que essa palavra se possa aplicar a miúdos de 11 anos.