abril 29, 2008

De volta a escola

Para o novo ano escolar, a tarefa era mais difícil e exigente. Novos colegas, novos professores, e novos hábitos de miúdos graúdos.
Na minha turma estavam colocados 2 alunos que tinham vindo de outra escola, e que para eles tudo era novo.
Não me recordo dos seus nomes, mas ainda relembro os receios e medos de quem caiu num mundo completamente diferente do que estavam habituados.
Tinham vindo do norte, e além de não conhecerem o Cacém, também não conheciam ninguém dos novos vizinhos.
A sua integração foi fácil e com a ajuda de todos conseguiram adaptar-se bem.
Eram irmão gémeos, um ele e uma ela.
Por sinal ela era bem engraçada e deixou logo algumas bocas abertas de baba caída pelos cantos. AHAHAH
Na minha mente ainda me lembrava a nova amiga de Góis, a Rosa.
Por alturas do S.Martinho, nós fomos numa excursão, há terra dos meus pais.
Tinha esperança de encontra a Rosa lá em Góis, nas festas da vila.
Não tive sorte nenhuma.

abril 17, 2008

Paixoneta de Verão


Naquele verão de 83, fiquei a conhecer melhor uma rapariga lá de Góis. Eu já a conhecia do ano anterior.

Nessas férias voltei a encontra-la e um dia estava-mos todos a tomar banho no rio, e a malta começou a meter-se comigo para eu falar com ela e convida-la para uma festa que iria acontecer no fim semana seguinte. Eram as festas da Vila de Góis.

Perdi a vergonha e peito cheio de coragem estendi a toalha ao lado dela e posemo-nos à conversa. Foi rápida a tarde para tanta conversa divertida e cheia de curiosidades.


Fiquei a saber que estudava em Arganil, que andava em Ciências, que não tinha namorado e que me achava divertido e simpático. LOL

Fiquei apaixonado desde aquele momento, por ela. O meu coração batia forte e sentia vontade de saltar e pular de alegria.


Dia após dia as conversas entre nós eram sempre interessantes e gostavamos de estar um com o outro. Os meus amigos lá da terra dos meus pais achavam-me um maluco por ter conseguido ser amigo dela, mas lá no fundo achei-os todos com grande inveja minha. AHAHA


O fim-de-semana chegou e ela tendo aceite o meu convite, fui busca-la a porta de casa que era lá na vila e fomos juntos para a festa.

Alem de dançar-mos juntos, falamos muito e trocamos moradas para mais tarde lembrar. Naquela altura não havia telemóveis ou internet para troca de emails.


Para pena nossa as férias acabaram e a despedida foi sentida com profunda tristeza. Adorava que aquele verão não tivesse acabado.

O beijo que lhe dei, na cara, da ultima vez que nesse verão a vi, ficaram recordados na minha memória por longo tempo.


Desejei rapidamente voltar a Gois para a rever. Agora só no proximo verão.

Torneio de Verão

Acabada a escola, desta vez com bom aproveitamento, fiquei feliz por voltar a ter 3 meses de descanso e brincadeiras infinitas.

A malta lá da rua tinha planeado durante algum tempo realizar um torneio de futebol entre as várias ruas da zona.

O campo lá do descampado, estava pronto para receber os pontapés no esférico e gritarias de alegria e paixão pelo desporto rei.

A minha equipa era constituída por 7 elementos.
Os jogos eram de 5 contra 5 e o tempo era de 30 Minutos para cada lado.

Entre as 8 equipas e durante 2 semanas os jogos foram sendo realizados, para alegria de uns e desespero de outros.

Algumas entradas violentas, jogadas corridas, golos fantásticos e muito suor, com corpos desnudados de camisolas e água fresca a jorrar pelas gargantas abaixo fez daquele torneio um dos melhores que foram disputados pela malta.

A minha equipa ficou em 4º. Haverá mais na próxima, e ai iremos desforrar-nos.

Os prémios de jogo, foram um pic-nic que a malta fez no último dia do torneio no molha pão. Os nossos pais foram fantásticos ao prepararem o farnel.

Todos ganhamos, apesar de só uma equipa ter ficado em primeiro. Os putos do Bairro Azul.

abril 15, 2008

Roma-Benfica 1982/1983

Em finais do ano lectivo de 1983, e tendo-me corrido bem o ano, pois passei com 2 negativas, Francês e Matemática, a malta já andava toda a combinar coisas para as férias.

O fim do ano escolar, foi altura de por em prática um projecto que o conselho directivo tinha idealizado. Fazer uma festa desportiva, em que os alunos iriam praticar vários desportos durante um dia.

O dia escolhido foi a uma quarta-feira.
Nesse dia, para azar de todos, acontecia um jogo de futebol fantástico e que iria ficar marcado para toda a vida na memória dos jovens miúdos que naquele fim de tarde no café via televisão, viram o embate entre o meu Glorioso Benfica e o Roma.

Os jogos desportivos escolares não poderiam impedir de ver-mos esse jogo, por isso metade da turma aproveitava os intervalos das provas para ir a correr ao café dar uma olhada na TV. Eu estive escalonado para fazer as 12 horas a correr, por isso engatei um dos meus colegas, a troco de uma pastilha, para ele fazer o meu turno da corrida.

Resultado Final: Roma-Benfica, 1-2
Lembro-me que a comunicação social deu destaque aos jogadores que, de um lado e do outro, tinham a batuta da equipa.

A Roma na altura estava na mó de cima, era uma grande equipa, composta por grandes internacionais, no meio-campo tinham o Falcão e Bruno Conti, que eram as estrelas da companhia.
"Nós" Tínhamos o Filipovic e o Alves, e ainda contávamos com esse grande treinador que era o Sr. Eriksson.

O Jogo foi fantástico, quase um jogo perfeito. O Benfica foi superior.
Pela imponência do Estádio Olímpico, pela quantidade de jogadores de grande nomeada, foi um jogo inolvidável.

p.s. Na corrida da escola, a minha turma ficou nos ultimos lugares :-)

abril 11, 2008

Uma Briga das antiga

Numa das visitas de estudo que a professora de Ciências fez, foi ao Jardim Zoológico. http://www.zoolisboa.pt/main.aspx

Claro que conseguir controlar 30 alunos num sítio daqueles era deficil, mas da escola foram 2 autocarros cheiros, éramos para ai uns 120 alunos.
O dia foi bem divertido, e acho que a atenção sobre o que os professores, que fizeram essa visita, diziam foi quase nula.
A malta era irrequieta e só queria andar de um lado para o outro e os rapazes metiam medo as miúdas, dizendo-lhes que as mandava-mos para a jaula dos leões.

Apesar de tudo, correu bem e para "agrado" de todos, tínhamos que fazer um trabalho para apresentar a professora sobre o Zoo.

Bonito, eu quase nada tinha fixado do que eles disseram. Com a ajuda da minha mãe e com alguma memória lá me desenrrasquei.

Aquela visita ao Zoo, tinha provocado uma situação de tensão entre alguns rapazes da minha turma, eu incluído, e uns outros de uma outra.

Houve um rapaz da outra turma que passou uma rasteira a uma das "nossas" miúdas e ela magoou-se.
Os professores nada viram e apesar dos protestos dela, não lhe aconteceu nada.
A perna dela ficou bem marcada.

A malta decidiu, aplicar uma "solha" ao puto, e num dos intervalos, dias depois do acontecido, apanhamos o "parolo" à saída da cantina e levamo-lo para traz do Ginásio.

A minha colega deu-lhe um estalo, e depois todos nós, os outros, obrigamos o miúdo a passar pelo "corredor da morte" e ai levou com cada "calduço" que até as orelhas ficaram arrebitadas.

Dois dias depois, houve uma batalha campal nas traseiras das oficinas, entre rapazes das 2 turmas.
Foi tareia a torto e a direito. Eu ainda fiquei com algumas nódoas negras, mas felizmente ninguém se magoou a sério.
O conselho Directivo da escola nunca soube nada sobre isto.

Uma coisa foi feita. Justiça! A minha colega foi vingada.

abril 07, 2008

Cantinho do Amor

Os espaços exteriores eram aproveitados pelos alunos para variadas actividades.

Os 2 campos desportivos estavam sempre ocupados com jogatanas, e os 2 campos de basquetebol também.
O bar era frequentado para comer e também para ir namorando as miúdas.

Os mais velhos escolhiam um local que havia atrás das oficinas, junto ao muro da escola, onde a existência de árvores fazia com que o local fosse escondido e discreto.

AhAhAh é claro que toda a malta sabia desse chamado "Cantinho do Amor".

Uma das actividades favoritas dos putos mais novos, como eu, era ir vigiar esses casalinhos e mandar-lhes coisas para os assustar. Coisas de miúdos que não tinham nada para fazer.

Os contínuos da escola sabendo dessa situação, tentavam sempre arranjar forma de isso não acontecer, limpando a zona, desbastando as arvores e fazendo rondas pelo local.

Mas quando esse sítio era muito visitado por alheios, a malta ia para outro nas traseiras dos pavilhões junto a passagem de nível.
Havia sempre solução para os ninhos do amorrrr.

Orgânica da Escola

Eu adorava a escola, e todas as alterações que teve na minha vida.
Senti que estava mais crescido e com mais solicitações a vários níveis.

Na minha turma, éramos 30, alguns repetentes, com feitios e maneiras de ser diferentes uns dos outros.
Tínhamos 5 raparigas, as áreas mais mecânicas eram pouco atractivas para as miúdas.
As aulas técnicas (electricidade, mecânica) eram realizadas nas oficinas, as gerais (português, francês, inglês, matemática, biologia, química) no edifício principal, e as outras nuns pavilhões que existiam nas traseiras e no edifício antigo, que era a escola original.

Tirando o edifício principal, que tinha algumas condições de leccionar as aulas e as oficinas, os pavilhões e a escola antiga eram muito degradantes e sem condições. Não entendíamos como era possível aprender o que quer que fosse em locais onde ratos, frio, material partido e outros, eram uma realidade nada abonatória para uma escola.
Nem para outro lugar.

Os tempos eram difíceis, o ministério tinha poucos recursos e os docentes pouco poder tinham ainda. Não havia manifestações como hoje em dia.

Eu lembro-me de não haver material nas oficinas para fazer os trabalhos, e termos nós que pedir aos pais para o comprar.

A minha 1ª experiencia num trabalho de electricidade, foi realizar uma corrente continua numa placa de madeira, em que o esquema fazia acender uma luz no topo do trabalho.

As aulas de ginástica eram quase todas no exterior, pois o pavilhão desportivo existente era pequeno, só cabendo um campo de voleibol no seu interior.
O pavilhão só servia para mudar de roupa e tomar banho depois das aulas. Mesmo os balneários eram pequenos e pouco confortáveis.

A cantina e o bar era ainda o que mais se aceitava. Aliás o bar era relativamente novo, tinha sofrido obras no ano anterior.

Para poder almoçar na cantina tinha que se comprar a senha no dia anterior.

abril 04, 2008

Nova realidade escolar

Eram atarefados os dias anteriores ao começo de um novo ano escolar, pois a corrida as listas dos livros a comprar, colocação das turmas e horários das aulas.
Alguns dos livros que já tenho do ano anterior, vão-se manter, mas outros terão que ser adequiridos.
Este investimento é enorme para os pais, alem do material escolar.

A escola onde eu me inscrevi para o 7º ano, é na Escola Industrial e Comercial Ferreira Dias.
A maior de Sintra e aquela onde mais alunos estudavam.
Era outra realidade, completamente diferente da que estava habituado.
Na realidade eram 2 escolas num conjunto de edificios, a Ferreira Dias onde eu estava e a Gama Barros.
Na altura a malta dizia que a Ferreira era dos rapazes, pois eram as areas mais técnicas, electicidade, mecanica, desporto, e a Gama a das meninas, onde as areas eram a de linguas, saude, fisico-quimica, comercial.

O universo de 2 mil alunos, fazia da escola um mar de alunos, que nos intervalos deixavam um puto acabado de chegar ao estabelecimento, maluco.

Aqui não poderia armar-me em esperto, pois havia alunos muito mais velhos que eu, e ainda por cima não conhecia ninguem.
Na minha turma, eramos 3 alunos que viemos da António Sergio, mas de turmas diferentes.
Sendo uma escola Industrial, as aulas técnicas eram bastante diferentes e mais práticas.

Desejei que o ano fosse bastante diferente do anterior

Atravessar um "Deserto"

As férias desse ano foram passadas com um grande sentimento de frustração, desmotivação e fúria por mim próprio.

Senti uma sensação terrível por ter dado aos meus pais uma vontade enorme de me puxar a roupa ao pêlo.

Chumbar o ano daquela maneira que eu o fiz, é daquelas coisas que quando se é miúdo não se pensa muito e dá-se pouca importância mas que mais tarde recordamos essa aselhice e só nos apetece dar murros numa porta.

Nos dias que passei em Góis, não me foram permitidas muitas brincadeiras.
Levei uma carrada de livros para estudar, para no próximo ano escolar não voltar a acontecer o mesmo.

Bem sei que não foi só a falta de estudos, as companhias e devaneios escolares também contribuíram para o desastre.

Sentia vergonha, quando as pessoas me perguntavam como tinha corrido a escola, e eu tinha que lhes dizer que não tinha passado.

Acho que esses sentimentos e memórias são para toda a vida.

O próximo ano vou para outra escola. A que andava iria acabar com o 7º ano, ficando só com o 5º e 6º anos.

abril 02, 2008

Perda do Ano escolar

As aulas corriam a um ritmo elevado, e para miúdos armados em graúdos em que a atenção era menor derivado de vários factores, as matérias iam sendo cada vez menos interessantes e chatas.

Nunca mais chegava a hora do intervalo, para se poder andar em grandes correrias e brincadeiras infindáveis, para galantear as miúdas, e para ir a banho em tempo quente a ribeira de Meleças.
A sombra das árvores acolhia debaixo dela, miúdos cansados de tanta bola, de jogos do apanha e do arrebenta.

As idas ao supermercado, proporcionava ávida vontade de cerveja e batatas fritas. Trazíamos amendoins e Bom-Bocas, que boas eram elas recheadas de morango.

É claro que todos estes devaneios não iriam dar bons resultados no final do ano escolar, mas a malta pouco se importava. Coisas de miúdos.

Nesse ano considero que foi uma grande lição de vida para mim.

E eu que até frequentava a catequese e ia ao Domingo a missa, não tinha ainda adquirido os princípios de saber, estar e respeitar.

Sim, o respeito que não tive pelos meus pais, que com sacrifício puseram o filho a estudar e ele andou nesse ano a passear a mochila com livros lá dentro que mal viam a luz do dia se não quando eram abertos nas aulas.

No final do ano, reprovei com 5 negativas.

março 31, 2008

Putos armados aos "Pingarelhos"

Para a malta, chegados ao 7º ano, já nos considerávamos os maiores, e sendo o máximo que a escola tinha, pois para o ano teríamos que mudar de local, ninguém se poderia por contra nós.

A turma onde eu estava colocado, tinha meia dúzia de alunos repetentes, e esses eram 1 ano mais velhos que a maioria. Já tinham 14-15 anos.

Eu tendo escolhido a área de Electricidade, a maioria da turma eram rapazes, só tínhamos 7 raparigas, em 30 alunos.
Eu gostava dos trabalhos eléctricos, sendo complexo e muito exigente em termos de matéria, as aulas práticas eram fascinantes.

Chegado a esta fase escolar, as matérias eram mais difíceis e os devaneios extra-escola chamavam por nós.

As nossas aventuras passadas à beira da linha de comboio, que na altura não tinha os acessos vedados, a fumar tabaco dos velhotes, Mata Ratos e Kentucky, e a beber cerveja comprada no Minipreço pelos mais velhos.
Não havia aquele problema da idade, qualquer um poderia comprar.

Acho que a minha experiencia de fumar aquela porcaria, fez com que nunca fosse fumador. Achava que aquilo não seria nenhum prazer.

É verdade que naquela altura nunca apanhei nenhuma bebedeira daquelas a sério, mas que o raio da cerveja batia, ai isso batia e que bem corriam as aulas depois disso.
Os professores nunca desconfiaram de nada. Eles não deveriam imaginar tamanha loucura.

março 29, 2008

A minha Bicicleta

As férias de verão corriam sempre em grande aceleração e dentro das brincadeiras que a malta gostava, havia uma que era do agrado de todos.

As corridas de Bicicleta.

Eu tinha uma trotineta vermelha, e era com ela que me divertia, mas sendo já crescido gostava de ter outra coisa mais evoluída.

Como prenda da minha passagem para o 7º ano, os meus pais deram-me uma Bicicleta. Uma Caloi Berlineta.

Que prenda mais fantástica, e como eu adorei o dia em que a fomos buscar a Lisboa, uma loja que havia ali na Almirante Reis, ao pé do Banco de Portugal.

Ela era verde, e ao meio tinham uma tranca que permitia dobrar a bicicleta, para assim ser mais fácil o seu transporte de carro.

Há uns anos trabalhei lá perto e ainda existia essa loja, mas hoje em dia é um Restaurante.

Como dizia, grandes brincadeiras e corridas nós fazíamos com as nossas "bikes". Estrada acima rua a baixo saltar montes e derrapar com o pneu traseiro.

Para dar mais estilo, eheheeh os miúdos são terríveis, púnhamos umas cartas das de jogar, presas com molas nos raios da roda de traz, e aquilo parecia um barulho de mota.

A minha mãe ADORAVA ver-me ao fim do dia com as calças cheias de óleo da corrente e braços e mãos negros como o alcatrão da estrada.

Corríamos algum perigo, pois íamos a pedalar pelas estradas até Sintra, circulando ao lado de carros.

Eu acho que os nossos pais nunca souberam destas loucas viagens. Para eles andávamos sempre por ali perto.

março 27, 2008

Vamos pra praia


As férias tinham chegado, e haveria de se recarregar as energias de um ano atarefado.

Era a altura em que o Dartação andava em grandes aventuras televisivas, e os mosqueteiros era uma das brincadeiras dos putos lá da rua.

O meu pai folgava ás Terças e Quartas feiras, e eram esses os dias em que nós aproveitávamos para ir á Praia.

Era bom, porque sendo dias de semana havia sempre muito menos pessoas que aos fins de semana.

Os areais das praias eram extensos para tão poucas pessoas. Assim era possível poder jogar a bola com mais descontração e segurança.

Aprendi a nadar com uma bóia amarela e branca que me foi oferecida pelo meu tio, quando tinha 8 anos. Foi uma prenda de passagem da 2ª para a 3ª classe.

Nesse verão de 1980 já não a tinha, de tanto uso que lhe dei, arrebentou numa tentativa de defesa dentro de agua.

Nessa altura os meus pais gostavam de variar nos locais de ir a banhos, desde a Torre, Carcavelos, passando pelo Estoril e Cascais, Praia Grande e Maças.

Também íamos até a Caparica, e Fonte da Telha. Lembro-me também de algumas vezes irmos até ao Portinho da Arrábida, Galapos e até a Tróia.

Naquele tempo, a praia durava o dia todo, pois com a bela da geleira debaixo do braço, umas cadeiras e mesa e um fogareiro, a coisa rendia.

O dia começava bem cedo, pelas 9 horas e chegávamos lá pelas 18 horas.

O que eu não gostava nada era da sesta depois do repasto.

Ora sendo puto queria era saltar e subir ás arvores, que de poiso serviam ao nosso saltimbanco momento veraniano

março 25, 2008

Chico Fininho

Em 1980, o panorama musical estava a mudar, e a malta mais nova era a imagem dessa revolução.
Novos grupos e cantores a solo, iniciavam um estilo de música que se veio a tornar uma lufada de ar no meio musical Português. o Rock and Roll.

Gingando pela rua ao som do Lou Reed
Sempre na suaSempre cheio de speed
Segue o seu caminho Com merda na algibeira
O chico fininho O freak da cantareira
Chico fininhoUuuuuuh uuuuuuh
Aos sss pela rua acima
Depois de mais um shoot nas retretes
Curtindo uma trip de hero'na
Sapato bicudo e joanetes
A noite vem já e mal atina
Ele é o maior da cantareira
Patchuli borbulhas e brilhantina
Com lica escorbuto e caganeira
Chico fininhoUuuuuuh uuuuuuh
Sempre a domar a cena
Fareja a judite em cada esquina
A vida só tem um problema
O ócido com muita estricnina
Da cantareira á baixa
Da baixa á cantareira
Conhece os flipados
Todos de gingeira
Chico fininhoUuuuuuh uuuuuuh

Todos nós tínhamos escrito numa folha de linhas a letra toda.
A minha folha de tanto ler e cantar, ficou bastante mal tratada AHAHAHA.

Num sábado, às 14h ia dar na televisão um conserto, o primeiro, do Rui Veloso.

Nesse dia tínhamos aulas até a essa hora, por isso pedimos ao professor se nos deixava sair 10 minutos mais cedo para podermos chegar a casa e poder vê-lo.
Muito corri eu pelas ruas acima até casa dos meus pais.

Esse dia ficou memorável e ainda hoje recordo-o.

Molha Pão

Com a chegada do calor da primavera as aventuras iam para além da escola.

Nos intervalos das aulas, furos ou nas faltas de professores, a malta gostava de sair da escola e um dos locais escolhidos era o rio que passa junto a escola e que já vinha de Meleças. Ribeira das Jardas.

Era costume andar a apanhar peixinhos com redes, apanhar rãs e cobras de água.

Havia um campo de futebol com balizas a sério em Meleças, onde os putos costumavam também jogar.

Depois das jogatanas era correr até ao rio que passava perto, para dar grandes mergulhos e banhos refrescantes nas aguas que naquele tempo ainda corriam limpas e seguras.
Não havia melhor brincadeira do que essas.

Estávamos sempre na ansiedade de algum tempo livre para ir para lá.


Um dia, depois de uma manhã de sábado (nessa altura havia escola ao sábado até as 14H) sem aulas, tivemos que vir a corre para a aula das 13h, depois de grandes brincadeiras num grande tanque de rega numa quinta na Tala, o Molha Pão.


O tempo apesar de ter estado quente não foi suficiente para que todos nós chegássemos secos a aula.

A professora perante tamanha falta de respeito, mandou todos os que prevaricaram, para a rua com falta a vermelho.

Aquilo custou muito às minhas pequenas orelhas, quando a minha mãe soube do sucedido.

março 20, 2008

O Franciu

Passavam os dias e ainda tinha na mente o 1º beijo que tinha recebido da Maria João.

Ela continuava a ser a mais desejada da minha turma, pois sendo a única a dar beijos na boca, as outras miúdas eram quase sempre postas de lado, no que tocava a convites.

Depois desse momento mágico, ainda tive sorte em mais 3 ou 4 beijos em dias posteriores, mas o pior estava para acontecer, se é que se poderia considerar pior ou antes desgraça.

Na turma havia um rapaz, 1 ano mais velho que nós, o Fernando, que vivia em casa de uns tios, pois ele viera de França, onde os pais estavam emigrados.

O tipo para a época, e além de ser mais velho, estava muito a frente no que respeitava a vestir-se, pois trazia de França roupas modernas e que por cá pouco se viam.

Calças e casacos de cabedal, t-shirts modernas e coloridas e ténis da Le Coq Sportif.

Nos primeiros dias, ele era acanhado, e participava pouco, mas depois mudou e tornou-se mais companheiro, apesar de não jogar a bola.

O cabelo dele era louro (derivado da pintura com agua oxigenada ahahaha) e aquilo funcionava com as miúdas.

Elas andavam todas malucas por ele.

Isso deixou nos restantes rapazolas da turma uma tal frustração por não serem os eleitos das miúdas.

No Bate Pé ele era sempre bem aceite pelas participantes do sexo feminino e recebia só beijinhos na cara.

Mas o que não queríamos que acontecesse, aconteceu.

A Maria João ficou a gostar dele, e ficaram namorados. A partir desse dia, ela não deu mais beijos na boca a ninguém. Só para ele.

março 19, 2008

O meu primeiro Beijo na boca

Quase todos os intervalos eram aproveitados para jogar o Bate Pé.
Beijinho ou prisão?

Rapazes como nós já com as hormonas activas, desejavam poder um dia chegar ao beijo de uma rapariga. Por aquela altura, a coisa era menos fácil, do que hoje em dia o é.


Elas ligavam-nos pouco e nós também, vendo bem as coisas, só interessava brincadeiras de rapazes.

A maioria das miúdas só dava apertos de mão e 1 beijinho na cara. 2 beijinhos na cara já era um luxo.
O prémio maior era o beijo na boca, mas isso com as miúdas da minha turma era tão raro que só uma, a Maria João, o fazia, e só alguns tinham esse privilégio.

Eu ao princípio era um dos renegados.

Nós os outros, os excluídos do prémio máximo dessa Diva, ficávamos todos com uma raiva dos 2 ou 3 betinhos que tinham essa sorte, que no jogo da bola iam para a baliza. Tomem para aprender.

Quase todas as turmas jogavam, e a malta falávamos com outros rapazes para saber quem eram as miúdas que davam beijos na boca. Era cá uma galderice, gaiatos.

Dia após dia, a ânsia de um dia poder ser beijado na boca pela Maria João ou por outra miúda que entretanto pudesse ceder, deixava-me maluco.

Até deixávamos de fazer outras coisas, para ver se a sorte sorria.

Um dia, acho que seria já por alturas da primavera, e após insistência, ela aceitou o meu pedido e acho que nessa hora um buraco no chão se abriu.

As pernas tremiam que nem varas verdes, e o medo de não saber como fazer, fez com que o encostar dos lábios um no outro fosse a coisa mais maravilhosa que eu já tivera.
Esse momento durou para ai 1 segundo, mas pareceram horas.

O sangue corria a 1000/hora e o tremelicar das pernas prolongou-se por muito tempo, fazendo com que eu nesse resto de dia, não tivesse mais atenção ao resto das aulas.

Acho que fiquei apaixonado... se é que essa palavra se possa aplicar a miúdos de 11 anos.

Vamos jogar ao Bate Pé

O ritmo das aulas era bastante diferente da primária, horas atrás de horas, entra e sai em salas de aula, vários professores, diferentes disciplinas, muitos miúdos e alguns namoricos.

Tinha algumas disciplinas preferidas, entre elas História, Ciências da Natureza, Trabalhos Manuais e Ginástica.

Como língua estrangeira escolhida, fui para Francês. Não sei bem porquê, mas na altura era a mais escolhida entre a malta.

Ainda hoje não percebo porque é que era-mos obrigados a ter Religião e Moral.

Um dos professores odiados era o de Música.


O Senhor era terrível, e usava uma ponteira para dar uns soitos nas mãos da malta, quando saia um Lá em vez do Dó.

Há 4ª feira, como só havia 1 hora de almoço entre a aula de Ginástica de manhã e a aula da tarde, Português. Nesses dias alguns de nós levavam o almoço, na marmita, e comíamos na escola.

Muito raramente os comes e bebes chegavam inteiros a hora de os comer, pois eram tantas as boladas que as malas sofriam quando eram usadas como postes de baliza, bem como os trambolhões que lhes dávamos.

Cheguei a ter o leite todo derramado dentro da mala, deixando os livros e cadernos numa lástima.

As mães sofriam um pouco connosco.

Nos intervalos, além da bola que não se podia praticar quando os campos estavam ocupados, jogava-se a mata, rebenta, ao lenço e a um outro jogo que na altura surgiu e que deixou todos nós malucos. O BATE PÉ

março 18, 2008

Chegei a Secundária

Acreditava que aquelas férias seriam irrepetíveis, e que com a chegada de uma nova etapa escolar, as coisas iriam mudar para os miúdos do meu bairro.

Os gaiatos tinham-se transformado em pequenos adolescentes em que começa a despertar a idade de toda a irreverência.

Que saudades tenho dessa escola, a António Sérgio.

Alguns amigos, que me tinham acompanhado desde a 1ª classe continuava-mos todos juntos na mesma turma, 1º ano Turma C. O meu número eram o 25.


A minha turma, tinha as aulas de tarde, só as 4ª é que havia 3 horas de manha, 1 hora de Religião e Moral e 2 horas de Ginástica. Ahahahaah, depois de uma ida ao céu, jorrava-mos suor a potes de tanto correr.

O Vítor, o Jacinto, o Cabrita, o Rogério, o Luís, e acho que havia mais 1 ou 2, mas não me lembro do nome deles. Naquela altura, os rapazes brincavam pouco com as raparigas, outros tempos, por isso das miúdas não sei mesmo o nome das que também ficaram na mesma turma.

No primeiro dia da escola, fui com os meus pais, todo aprumadinho e com a mochila cheia de material escolar.

Nós que tivemos poucos livros na primária, agora era 1 por cada disciplina, e elas eram 10, fora os cadernos, lápis, canetas, compasso, réguas, esquadro, sem esquecer também os ténis, calções e camisola de ginastica.


Como seria toda esta gestão de material, para putos como nós que de organização pouco tinham e adoravam era a bola e correrias.

A apresentação foi feita na 1ª aula, de Português, onde o Director de turma deu as boas vindas a todos e desejo de bons estudos. Umas atrás das outras, as aulas que tínhamos para esse dia, foram todas de apresentação.

Novos colegas conheci, e nessa noite à mesa de jantar a conversa era só uma... O meu primeiro dia da Secundária

Pai Herói

Quando o meu pai comprou o seu primeiro carro, tornou aquele dia como dos mais importantes e ficou na nossa memória para sempre.


O Morris 1300 era lindo, todo azul, e apesar de ser em 2ª mão, ainda cheirava a novo.
Os estofos por dentro eram pretos, e eu sentado no banco de traz sentia-me importante.

O meu Pai tinha-o comprado num stand em são Pedro de Sintra, mesmo em frente a famosa pastelaria, a Casa do Preto.

Lembro-me que antes de o irmos buscar, comemos umas queijadas. Quem boas elas são.

A primeira viagem que fizemos, foi seguir-mos em direcção a Sintra, e seguir pela estrada da Praia das Maças. Ai paramos um pouco, e depois seguimos para casa.

O carro andava muito, e para um miúdo era o sonho de brincadeiras pequenas, tornada realidade por gente grande.

A minha mãe tinha tricotado 2 almofadas para colocar por cima da bagageira e o meu pai tinha pendurada uma bandeirinha do nosso glorioso, no espelho retrovisor.

AHAHAH era a moda da altura, apesar de ainda hoje alguns terem essa decoração.

Foi uma tarde de final de verão muito divertida e que me deu um prazer enorme.

A destreza que o meu pai tinha para domar aquela "fera" deixou-me muito orgulhoso dele.
Foi o meu PAI HERÓI.